sexta-feira, 26 de maio de 2017

A tua espera.

A tua espera me é sempre aflitante;
É sempre como se fosse a primeira vez
É sempre como aquela primeira viagem
É sempre como tocar os pés de manhã
É sempre como me sinto ao rever o mar...
E tocar suas águas, que embora agitadas,
Sempre me trazem paz.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Encontro poético:

Músicas, livros e vinhos
Partidos, ídolos e socialismo
Cama, corpos e delícias
Bocas, palavras e sentidos
Palavras escritas com a língua
Na pele que grita poesia!



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Gosto.

Eu gosto do perigo, eu me arrisco

Um palpite, um poema ou uma taça de vinho

Que pode ser a minha fortuna

Ou a minha ruína;

Ah, eu invisto mesmo para perder

O que se guarda se morre sem nascer

Eu aposto sob a luz da lua

E faço vingar sob a pele

O único sentido dessa vida.


(Mariana de Almeida).




Dos homens:


De menina que fui
Um dia acreditei nos homens;
De moça que fui
Um dia desconfiei dos homens;
De mulher que fui
Um dia odiei os homens;
De senhora que fui
Um dia perdoei os homens;
De idosa que fui
Um dia desisti dos homens...
Sua humanidade é perversa
Os homens acumulam coisas
E desprezam pessoas;
Os homens vendem suas mentiras
A preço de sangue, suor e dor
Para outros homens comprarem
A preço de barganha;
Um dia desisti dos homens
Quando vi a criança suja no asfalto
Quando vi a mulher no semáforo descalça
Quando vi o jovem fumando pedras em lata
Quando vi o homem mirando o fuzil
Quando vi o homem matar outro homem
Quando morreu em frente ao hipermercado central, um homem, de fome.

(Mariana de Almeida)



terça-feira, 9 de maio de 2017

Belchior.

Deitada só na cama
Fones de ouvido e Belchior
Pensando na vida
E na falta de sentido dela.


Saber ser grão de areia
Nesse deserto de mundo
Desejo urgente de ser feliz
Antes do fim.


Alucinação que bate na gente
Quando ouvimos o coração.


(Mariana de Almeida).



Nós.

Retalhos de jornais
Mesmo se juntados
Não saberiam de nós
Atravessamos estradas,
Mares e montanhas
Enganamos a polícia
Civil, militar e federal
Ultrapassamos velocidades
Derrubamos placas
Não ouvimos conselhos
Não olhamos para trás
Futuro nos fisgou
Atropelando o presente
E enterrando passados.
(Mariana de Almeida).

 

Menina.

Não espere por nada não
Não espere a colheita, menina
Daquilo que só se colhe no coração
Sem saber exatamente como foi semeado;
O amor fertiliza mesmo em meio à seca,
Mesmo sem saber, em meio ao caos,
Até os mais áridos corações.


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas



terça-feira, 2 de maio de 2017

Amor. (Para Larissa Lima)

Nunca tive nada para chamar de meu

Os amores vêm, respiram, transpiram e se vão...

Os filhos, tão nossos, um dia simplesmente se levantam do sofá e se vão

e eu desejo que o voo seja lindo, leve e libertador

Sim, libertador, livre de qualquer dor ou culpa

Não me deves nada, meu anjo, nada!

Te amei mais que pude e menos que desejei

Pois te amar nunca é o suficiente, sempre necessito mais

Casa, carros, bens, aquela pizza a noite

Tudo isso vem e vai, nada nos pertence

A Terra que hoje pisamos não é nossa

Nem nunca foi... Nunca tivemos chão

Nossos pés descalços preferem alçar voos

Que fincar as lanças da prisão na terra

Te amo desesperadamente...

Amor de carne, osso e alma

Uma vida é tão pouco para nós

Aprendemos tanto... tudo aquilo que não está a venda

Em nenhuma prateleira do mundo

Nossa carne resistirá enquanto o coração pulsar

Enquanto o sangue bombear

Enquanto a pele se arrepiar

Enquanto o amor clamar por justiça!

Nunca tive nada para chamar de meu

Nunca quis ferir a Terra nem o Ar

Nunca quis tirar o seu para chamar de meu

Nunca me vendi para o vil metal

Toda posse é agressão

Liberdade é o verdadeiro amor.

(Mariana de Almeida)





sábado, 29 de abril de 2017

O texto perfeito insiste e nunca sai, ele incita, excita, transborda e brocha...
Perfeito caso de amor que termina em ódio.
As palavras fervem nesse caldeirão de ideias desconexas, um abismo de medo e futuro, um desejo insano de justiça que nunca houve nem nunca haverá.
Ser poeta é ver o homem marchar em busca do amor, mas sabendo que a marcha oprime e o sonho agoniza em praça pública entre homens e canhões.

(Mariana de Almeida).

Greve Geral.

A vida
Ora aguda, ora grave
As vezes faz greve
Ora de fome, ora de sexo
Ora de sangue
Se preciso for!
Lute pela vida
Que merece ser vivida!

(Mariana de Almeida).

Postagem em destaque

Sobre escrever.

Escrever é preciso, ser lido já é outra coisa Escrever é necessidade, impulso, grito Ser lido é invasão, dedo na cara, condenação Jul...