Eu ainda vejo flores nas sarjetas
Nas cercas que nos separam
Nos muros que nos dividem
Nas escadas que não alçamos;
Eu ainda vejo flores nos olhos
Nas mãos que não tocamos
Nas bocas que não beijamos
Nos pés que não seguimos;
Eu ainda vejo flores nas esquinas
Nos automóveis que nos oprimem
Nos aviões que nos deixaram aqui
Nas nuvens de sonhos de algodão;
Sim, eu ainda vejo flores em você
No bom dia que nunca trocamos
Nas mensagens que nunca lemos
No amor que nunca mais acreditamos;
As flores resistem aos séculos, meu bem
Resistem ao ar, aos homens, ao fogo
Resistem à mágoa, à memória e à saudade
Eu tento também.
(Mariana de Almeida)
Um diário denunciando através de poesias e crônicas as dores e delícias de uma mulher face ao século XXI.
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Sim, eu ainda vejo flores em você.
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