De menina que fui
Um dia acreditei nos homens;
De moça que fui
Um dia desconfiei dos homens;
De mulher que fui
Um dia odiei os homens;
De senhora que fui
Um dia perdoei os homens;
De idosa que fui
Um dia desisti dos homens...
Sua humanidade é perversa
Os homens acumulam coisas
E desprezam pessoas;
Os homens vendem suas mentiras
A preço de sangue, suor e dor
Para outros homens comprarem
A preço de barganha;
Um dia desisti dos homens
Quando vi a criança suja no asfalto
Quando vi a mulher no semáforo descalça
Quando vi o jovem fumando pedras em lata
Quando vi o homem mirando o fuzil
Quando vi o homem matar outro homem
Quando morreu em frente ao hipermercado central, um homem, de fome.
(Mariana de Almeida)
