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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Eu sou mulher

Ainda antes de descer os degraus do Inferno
Ela disse-me para arrumar os cabelos
E molhar com tinta os lábios da ilusão
Disse-me para tingir de sangue as unhas todas
E também para abrir os botões da camisa
E insinuar os seios à frente como faroletes;

É preciso saber seduzir para ser uma mulher
Essas foram as últimas palavras ditas por ela
Antes de dirigir-me à porta de saída de emergência
Meu peito tamborilava, descompassado e pétrico
Ao som de sua risada mórbida e língua salivante
À espera de minha grande queda;

Não caí, agarrei-me ao corrimão da razão
Não ajeitei os cabelos ressecados, bravos
Também não lambuzei os lábios com batom
Nem empinei os seios fartos à luz da pretensão
Eu sou mulher, eu sei, de Maria, Eva e Clarice
Eu sou luz na escuridão, venho de longa alcatéia;

Eu sou mulher, eu sei...
Desde pequena tentaram me domesticar
Meu sexo antes da minha razão
Meus lábios antes das minhas palavras
Só desço ao Inferno quando o fogo sou eu
Eu sou uma mulher, eu sei...


(Mariana de Almeida)


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Sei que sou mulher.

Sei que sou mulher
Toda vez que nego o mundo
E sou queimada por ele,

Sei que sou mulher
Toda vez que nego o sistema
E sou perseguida por ele,

Sei que sou mulher
Toda vez que nego o homem
E sou ameaçada por ele,

Sei que sou mulher
Toda vez que me tiram a paz
Toda vez que me roubam o ar
Toda vez que me deixam no vão,

Sei que sou mulher
Quando me reconheço em outras mulheres
Temos o mesmo semblante e olhos cansados
Temos os mesmos sonhos e cárceres privados,

Sei que sou mulher
Quando distraída vejo meu reflexo no espelho
E cumprimento minha avó, minha mãe e minha filha
Dentro de minha pele, ossos, lágrimas e sangue,

Sei que sou mulher
Que meu útero de outros úteros fecundaram a terra
E carregaram gentes de outras gentes de outras
Do fundo do oceano para o chão que agora piso
E sujo meus pés porque sei que sou mulher.


(Mariana de Almeida)


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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Mulher.

Não se nasce mulher, eu sei
Tornamo-nos mulheres
À medida que crescemos
E aprendemos a andar pelo mundo
E já desde bem pequena aprendemos
A ocultar nossa beleza, a fechar nossa perna
A medir nossas palavras, a baixar nossa voz
A olhar para trás, a não responder ou zombar
A pensar primeiro nos outros, a recuar
A não encarar nos olhos de alguns homens,
A mudar de calçada, a baixar mais a saia,
A desviar da esquina, a relevar assobios
A não repetir o prato, a lavar toda a louça
A estudar mais, a tolerar mais, a perdoar mais
Sobremesa, nem pensar! Não podemos engordar
Discutir, nem pensar! Não podemos incomodar
Viajar sozinha, não! Não podemos nos arriscar
Trocar o pneu do carro, não! Não temos aptidão
Amar outra mulher, não! Não podemos ser sapatão
Amar várias pessoas, não! Não podemos ser vadias
Ganhar mais que o marido, não! Não podemos aceitar isso
Ser solteira para o resto da vida, não! Não podemos ficar sozinhas
Detestar crianças, não, o que é isso? Todas devemos ter filhos
Falar de política no trabalho, não! Não podemos correr riscos
Ser mulher é usar toda a inteligência emocional para driblar a sorte
Tudo o que nos move instintivamente é o nosso desejo ancestral
De permanecermos vivas; completamente vivas e lúcidas
Nós já apanhamos muito, já nos negaram todo o tipo de sorte
Já fomos queimadas vivas em fogueiras, já fomos abandonadas
Já fomos estupradas, assassinadas, violadas e roubadas
Não se nasce mulher, eu sei
Não se nasce mulher, eu sei...

Ser mulher e não se comportar como mulherzinha, não!
Como ousa negar toda tua doutrinação de mulher?
Como deseja ser respeitada por toda sociedade, então?
Como renega o teu mais sublime privilégio de ser mulher?
Mulher, tu és o esteio dos lares, da famílias e do patriarcado
Tu és nossa joia mais preciosa, nossa papoula do deserto
Nosso lírio da paz, nossa carne mais quente para nos abrigar
O que mais poderia desejar, Mulher?
Mulher, redime-se enquanto há tempo
Não manche teu nome com ingratidão!
Recolha-se e peça perdão por tua tentação
De rejeitar ser uma maldita Mulher!


(Mariana de Almeida).












terça-feira, 12 de junho de 2018

Do verbo ser:

Sou uma mulher de avessos, de desertos, de geleiras e verões intensos.
Sou uma mulher de muitas viagens, posso ir de norte a sul em segundos.
Fugir do leste rumo ao oeste selvagem sem deixar rastros. Não me basto, não me caibo e não me acho... Minha desordem é mais que mental, é social, é moral, é demasiadamente humana e por isso me fere.
Sei que sou estranha... me afasto dos comuns, me apego aos difíceis, detesto bons modos e detesto mais ainda deselegâncias, coleciono manias incompreensíveis, adoro incertezas e fujo dos que não me convencem à primeira vista.
Queria inverter a ordem das coisas, seria mais fácil gostar do que todos gostam e me dar por satisfeita com o pouco que ainda tenho. Queria sentir paz e não essa enorme aflição que me rouba o sono e as horas. Desejo a tua boca, meu paraíso particular, minha maldição, minha morte anunciada e redenção.
Minha sede de encontrar não sei o quê.

(Mariana de Almeida).

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, sapatos e close-up

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Eu vim para incomodar.

Eu vim para incomodar
Não me calo sem antes gritar
Eu vim para incomodar
Não me abalo sem antes cantar
Sigo a melodia até o dia que dá
Eu vim de longe só para te chamar
Vem com a gente incomodar
O coro dos contentes... lá ♫lá ♫lá
Que tocam as mesmas notas sós;
 
Eu vim para incomodar
Não danço sem antes cantar
O novo refrão dessa geração
Dedo na ferida da sua hipocrisia
O sonho deles não é o mesmo da gente
A luta da gente é libertar todos os homens
Das armaduras do passado que condenam
Nossa gente inocente até o presente
Eu vim para incomodar
Não me calo sem antes gritar
Pelo seu nome e de todos os outros;
 
Desligue a TV e venha você mesmo ver
Que o direito da gente é poder escolher
Levante do sofá e toque o céu
Com as suas mãos ou com as pontas dos pés
Eu vim para incomodar
Por isso vim te chamar
Levante e lute pelo seu direito de pensar
Em casa, na rua, na lua ou em qualquer lugar
Não espere ver o sol sem antes ver o luar
Venha comigo também incomodar!
 
(Mariana de Almeida).
 
 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

De leve.

Nossa, você não usa maquiagem?
Uso, de leve.
Nossa, você não faz dieta?
Faço, de leve.
Nossa, você não faz academia?
Faço, de leve.
Nossa, você não usa saia?
Uso, de leve.
Nossa, você não pinta os cabelos?
Pinto, de leve.
Nossa, você não usa jóias?
Uso, muito de leve.
Nossa, você não ama sapatos?
Não, nem de leve, amo pés no chão.
Nossa, você não ama bolsas e acessórios?
Não, nem de leve, não gosto de carregar peso.
Nossa, você não ama crianças?
Amo, a leveza delas.
Nossa, você não ama ser mulher?
Amo, amo transgredir a ideia de mulher
Amo a força e a luta de ser mulher
Que combate o que não é ser mulher.
Nossa, mas você é peso pesado!
Não, eu sou leve, leve, leve....
O peso eu deixei faz tempo por aí
Em alguma revista feminina
Em algum outdoor na avenida central
Em algum folhetim de banca de jornal
Em alguma folha de outono que o vento levou.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Há muito terminei com a mulher que um dia eu fui;
Às vezes, distraidamente, a encontro em um espelho qualquer;
Nos cumprimentamos formalmente
Ela segue para o passado
Eu sonho para o futuro.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O velho marinheiro.

Era impossível não amar aquele homem, tanta bondade, tanto carinho que exalava de seus olhos, suas mãos tenras, seu colo acolhedor e suas palavras sempre doces de esperança.
Era amor demais para um homem só, um homem castigado pela vida, perdas irreparáveis, separações, rejeições e abusos. Eram tantas faltas e um coração gigante que boiava em seu mar de amor infinito, regido pela Lua que determinava suas marés, ora baixa, ora cheia e ora tempestuosas de anseios inimagináveis.
Ela era suja demais para um coração tão puro, ela fora abduzida pelo sistema o qual repudiava... Desde menina seguia regras impostas para sua sobrevivência, nenhum passo em falso seria perdoável, um deslize e já seria o suficiente para que um Tsunami devastasse sua pequena vida de medo e agonia, as vezes teria sido o melhor mesmo...
Ela foi tocada pelo amor desse velho marinheiro, foi libertada das profundezas do seu mar sujo e cheio de destroços de antigos navios naufragados. Esse homem, esse marinheiro a tocou com o seu doce amor e a libertou para navegar em outros oceanos de águas mais limpas. Sim, ela podia nadar, existia um outro oceano e ela podia se salvar.... Salvar-se da dor de se saber prisioneira, estava liberta para sair dali e navegar em outras águas antes que fosse tarde demais. O lodo de sua prisão nunca sairá completamente dela, haverá resquícios, haverá cortes, haverá gritos, haverá memórias....mas há agora a possibilidade de novos mares e novas ilhas e novas praias e novas areias que antes os pés se recusavam em pisar.
Não há mais medo de quedas, todas já foram testadas e nenhuma definitiva.
O velho marinheiro, Deus do mar, de corpo machucado e coração dantesco a despertou de sua dor e a fez renascer Mulher, Musa e Deusa da vida e das palavras.
O mar nunca mais foi o mesmo.
 
Texto e fotografia: (Mariana de Almeida).
 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dos homens:


De menina que fui
Um dia acreditei nos homens;
De moça que fui
Um dia desconfiei dos homens;
De mulher que fui
Um dia odiei os homens;
De senhora que fui
Um dia perdoei os homens;
De idosa que fui
Um dia desisti dos homens...
Sua humanidade é perversa
Os homens acumulam coisas
E desprezam pessoas;
Os homens vendem suas mentiras
A preço de sangue, suor e dor
Para outros homens comprarem
A preço de barganha;
Um dia desisti dos homens
Quando vi a criança suja no asfalto
Quando vi a mulher no semáforo descalça
Quando vi o jovem fumando pedras em lata
Quando vi o homem mirando o fuzil
Quando vi o homem matar outro homem
Quando morreu em frente ao hipermercado central, um homem, de fome.

(Mariana de Almeida)



quinta-feira, 27 de abril de 2017

Mariana.

As vezes sou teu mar... as vezes sou teu chão
As vezes sou tua bússola... as vezes perdição
As vezes selvagem como mata fechada
As vezes mansa como um final de tarde
As vezes lua cheia e maré alta
Que invade e tudo arrasta
As vezes só areia branca que acariciam os pés
As vezes molhada como uma canção de amor
Gotas de notas musicais que exalam da paixão
As vezes um enxame de vagalumes repleta de luz
As vezes escuridão da noite e solidão
As vezes exata como as pontas de uma mandala
As vezes satélite suspenso no céu
As vezes mulher que tudo quer...
As vezes menina... as vezes serpente...
As vezes vinho e sexo... as vezes café e colo...
As vezes silêncio... as vezes arrastão...
As vezes sozinha... as vezes segurando a sua mão...
As vezes beijos... Outras vezes também...
As vezes Mariana... outra vezes O Mar e Ana...
Sou o teu melhor poema... sou o teu amor.


(Mariana de Almeida e Ricardo Ruiz).

quarta-feira, 8 de março de 2017

A culpa é minha!


Desculpa-me essa cara
Desculpa-me essas marcas
Ele estava nervoso,
Ele estava num dia ruim,
Ele estava sob muita pressão,
Ele estava preocupado,
Ele estava com dívidas,
Eles estava alcoolizado,
Ele estava cheirado,
Ele estava irritado,
Ele estava mal humorado,
Ele estava muito cansado,
Ele estava com problemas,
Ele estava transtornado,
Ele estava infeliz...
Me desculpe,
Pensando bem
Acho que eu caí da escada.
Ele não fez nada não.
A culpa é sempre minha.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Natália.


   A história começou exatamente assim: Natália navegava na internet sábado à noite enquanto curtia Olívia Ong e degustava seu vinho tinto sabático.
   As noites de sábado de tempos atrás costumavam ser mais animadas, geralmente fora de casa e rodeada de amigos, mas ultimamente ela sentia-se bem assim, em casa, bebendo, ouvindo música e lendo algum livro, quando vez ou outra se perguntava se algum dia amaria novamente. Não queria se preocupar com isso, afirmava com todas as letras que era possível sim ser feliz sozinha, se aparecesse alguém seria para dividir e somar, pois Nati já era mãe e não queria mais contribuir com a dor das futuras gerações. Na verdade, Nati era bem pessimista quanto ao futuro da humanidade, sabia que o ser humano era um animal autodestrutivo, egoísta, perverso, ganancioso e cruel. Suas experiências com o outro resultaram nessas impressões difíceis de serem moldadas, mas por vezes depois de um pouco de vinho e boa música, a ideia de amar novamente rondava sua cabeça. Nati se espreguiçava no sofá, colocava o livro aberto sobre os seios e afundava sua cabeça nas almofadas enquanto flertava com a possibilidade de se apaixonar.
   Sentiu seu celular vibrar, era uma solicitação de amizade: Nathan deseja ser seu amigo: 05 amigos em comum. Nati simplesmente aceitou, um a mais ou um a menos não faria diferença na sua vida social virtual agitadíssima.
   Ele era fotógrafo, aparentava uns 45 anos, cabelos brancos, olhos pretos, um pouco de barba grisalha e dentes irregulares. O conjunto a agradava, aquele rosto exalava alguma paz e harmonia, ficou olhando sua foto por alguns segundos quando veio o primeiro bate papo, ficaram horas conversando, o papo fluiu e a atração idem, acabou a garrafa de vinho, trocaram histórias e músicas, discutiram poesia e fotografia, riram e se despediram com alegria. Pena não morarem na mesma cidade, caso contrário, se encontrariam naquele momento mesmo. Paixão boa é aquela que bate na hora e não espera a hora certa para sentir. Uma pena, cada um de uma cidade e a vida real para dificultar qualquer contato e brochar tantas expectativas..
   A vida real é esse pacote de frustrações que carregamos, esse monte de boletos vencidos sem previsão para serem pagos, filho doente, cachorro no sofá, carro enguiçado, família, ex-marido, trabalho entre tantas outras coisas.
   Uma sensação angustiante no peito, sabia que devia se dar o direito de simplesmente viver sem a menor obrigação de fazer dar certo ou errado, simplesmente viver cada momento sem tanta culpa.
   Nati foi criada por uma família patriarcal e machista, todos acontecimentos e decisões dependiam do aval crítico e extremamente machista do pai, ele fora castrador a vida toda, exercia sua supremacia contra as mulheres da família que dele dependiam economicamente. Então, muitas vezes era preciso mentir, esconder, ocultar ou modificar a realidade para ser aprovada pelo pai, homem que exercia fascínio e asco ao mesmo tempo, eis um dos primeiros problemas de Nati…daí em diante as coisas só pioraram.
   Ironicamente Nati se casou com um homem também machista e sexista que a torturava psicologicamente atraindo-lhe a ideia de suicídio. Mas em tempo, Nati buscou ajuda psiquiátrica e entendeu que não estava louca e sim estava sendo vítima de muitos abusos há muito tempo. Isso mesmo, não era ela a doente que não se encaixava na família nem no casamento, era a sociedade que não a representava, felizmente! Ao entender isso, Nati pediu o divórcio imediatamente, mesmo sendo alvo de muitas críticas e punições do tipo: “Quem mandou escolher marido errado?”. As mulheres simplesmente aceitam esse tipo de punição porque ainda estamos em plena Era da Inquisição. A luta feminista está apenas engatinhando, é preciso mais mulheres conscientes e engajadas para levar informação e apoio à outras minas, outras manas, outras mulheres e senhoras.
   A libertação da consciência, do livre arbítrio, da livre escolha e do ir e vir se faziam urgentes. Mas e a prisão econômica? Essa era ainda uma barreira difícil de ser derrubada, pois, as mulheres trabalham muito, no trabalho e em casa cuidando de sua família, mas continuam ganhando menos que os homens.
   Nati ganhava pouco, mal dava para pagar as contas do apartamento, já tinha aberto mão de carro e gastos supérfluos, o que ela não abria a mão era do apartamento e dos estudos da filha. Infelizmente o ex marido nunca aceitou a separação e como vingança e punição não pagava a pensão alimentícia em dia, não parava em nenhum emprego, não assumia nenhuma responsabilidade e ainda atrapalhava a vida da sua ex esposa. Foram muitas idas e vindas aos advogados, sessões com o juiz da vara familiar e civil, muitos acordos não cumpridos, muita dor de cabeça e pouco resultado. Dizem que essa lei funciona no Brasil, mas Nati é a prova viva que não funciona nada! O homem paga a pensão alimentícia ao filho quanto e quando quer, as leis protegem os homens e a mulher que dê o seu jeitinho para não faltar o pão na mesa. Nati recorria aos pais, apesar da humilhação, mas por um filho uma mãe faz o que é preciso, engole muitos sapos, mas nunca os digere, nunca!
   Uma semana depois Nati e Nathan se falavam diariamente pelo celular, falavam sobre amor, sonhos, viagens e desejos. Nati não queria entrar em detalhes sobre sua pobre vida sem emoções. As vezes pensava em bloqueá-lo e esquecer de tudo e seguir com sua rotina de sempre, esperando pelas noites de sábado para se dar um vinho de presente enquanto relaxava e curtia as músicas que a faziam sonhar com outra vida.
   Nathan já estava fazendo planos, queria que ela fosse encontra-lo para irem juntos a um show, depois bar e depois passar o final de semana com ele. Domingo a noite ela voltaria para casa.
   Resta saber se Nati vai encarar a aventura amorosa, com quem vai deixar a filha, quem cuidará do cachorro e da casa sem precisar dar satisfação para ninguém.
   Eis o seu grande dilema. Arriscar ou não?

















(Mariana de Almeida).

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