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terça-feira, 25 de junho de 2019

Classe média.

Cá estou
Entre a perifa e a elite
Muda...
Sem voz alguma
Para me redimir
Da minha classe
Do meu esgoto
Da minha dor;
Classe média é o limbo,
Classe média é o câncer.
Classe média é a esquina
Do crime
Da noite
Do adeus que nunca daremos;
E a luta de classe foi o sonho
Que não despertou.


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, planta, flor e natureza

quinta-feira, 15 de março de 2018

A vida.


A vida não vale nada
A vida não vale a bala
A vida não vale a tarde
A vida não vale a vala;

A vida não erra
Quem erra é o homem
A vida não grita
Quem grita é o homem
Que pede socorro
Em nome de tantos outros;

A vida não vale nada
A vida não escolhe nada
A vida não sente nada
A vida somente segue;

A vida é tão egoísta
Não olha pro lado
Não toma cuidado
Não ouve os disparos
Não salva quem pede
Não vinga quem fere;

A vida não espera
A vida é a porra de um carro enguiçado na avenida lotada
A vida é a espera de um telefonema que nunca virá
A vida é um sonho de paz e justiça estampada na revista;

A vida, tão maldita, é essa longa espera
A vida deixa os bons irem primeiro
A vida gosta mesmo é do inferno
Armas, bombas, mentiras e silêncio
A vida é uma foda mal dada
Que carregamos no ventre como feto
A dor para sempre de nunca nascer.

(Mariana de Almeida).



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Meu bem.

Meu bem,
Aceite meus pecados
Aceite minha dor
Aceite o meu melhor;

Não, não meu bem
Não tente me salvar
Não tente me curar
Não tente me roubar;

Pois minha dor foi lapidada
Como o mais caro diamante
Meus pecados todos
Me trouxeram até você;

Não estrague tudo agora
Não se corrompa
Não se perca do meu melhor
Juntos, seremos a vida;

Aquela vida,
Pura e verdadeira
Sem mentiras nem traição
Só amor e libertação.

(Mariana de Almeida).

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Solidão.

Rouba-me tudo
Rouba-me o nada que possuo
Rouba meu pouco juízo
Rouba minha insensatez
Rouba meu desejo de justiça
Rouba meu livro do Neruda
Rouba meu disco favorito
Rouba minha paz;
Só não rouba minha solidão
Minha solidão já tem dono
Por um feitiço do tempo
Ela foi aprisionada em mim
No calabouço onde somente
A dor, minha rainha absoluta
Libertaria minha solidão
Num rompante de compaixão
Que não há nem nunca haverá
Clemencias em vão...
Misericórdia ao coração.

(Mariana de Almeida)




Depois do amor.

Detesto ser invadida
Molestada
Corrompida
Negociada
Avaliada
Comparada
Elogiada demais
Elogiada de menos
Ser confundida
Por um par de coxas
Por uma transa boa
Por palavras à toa...

Cama não é amor
É sedução
É vaidade
É gula
É pecado
São os desejos da carne
Brincando com a alma
Lembrando que depois do amor
Tudo dói para sempre.

(Mariana de Almeida)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sobre uma cilada: Março 2016.


Algumas pessoas invadem nossa vida sem percebermos tamanho desastre. Foi assim ao te conhecer, tantos amigos queridos em comum e você surgiu no meio deles, sempre gentil, gentil demais para dizer a verdade. Entrou no meio de conversas já iniciadas com a sua doce presença. A cada nova postagem lá estava você gentilmente com seu "like" e seu "emotion" bobo, eu confundindo o teu nível com os demais amigos e te recebi com todo carinho. Carinho esse que evoluiu para cantadas e declarações ousadas, contou lá suas histórias e eu banquei a otária ouvindo cada drama e acreditando em tal engano. Acreditei em cada palavra, brigaria com o mundo todo para provar que você não era falso nem mal intencionado, um homem sóbrio de valores nobres. Só não sabia que essa sobriedade se equilibrara sobre uma linha tênue de desequilíbrio e antidepressivos, uma crise de meia idade e um ego transtornado e eu a vítima perfeita. É claro que carrego minha culpa, acreditei e briguei por isso tudo e pior, depois tudo isso desapareceu, nunca existiu e parecia ser só minha imaginação me atestando demência permanente em frente ao espelho. Foram dias ruins, pesados e doloridos, mas não enlouqueci, guardei o que devia ser guardado para provar a mim mesma tudo o que foi real e que a estupidez não foi minha. Depois que voltei da minha dor me senti aliviada, talvez por isso escreva aqui, sempre senti enorme necessidade de gritar a verdade e exigir justiça. Você não era obrigado a me amar, claro, mas me tratar com dignidade sim porque eu sempre o tratei com respeito, principalmente nas questões mais delicadas como tua saúde, filhos, família, teus sentimentos e tudo que a mim você confiava. Me envolvi com tudo isso além do sentimento por você, pena que sua indelicadeza e insensibilidade jamais o deixariam perceber. A ideia de que sua vida seguia normalmente como se nada tivesse acontecido me deixou doente e não me refiro aos dois finais de semana que passamos juntos ou por ter te apresentado minha filha e meu endereço e sim aos meses que nos confessávamos quase que diariamente, todas as conversas, desejos, planos, enfim... Me bloqueou como se eu fosse uma qualquer, como uma golpista que o tivesse usado de alguma forma, como se eu me vendesse por um jantar de merda e noites de insônia num hotel da cidade. Seu narcisismo, seu ego transtornado, seu medo de amar e ser livre me atingiram em cheio, baby.
Eu finalmente entendi que você é mais infeliz que eu. Senti pena do meu sofrimento inútil porque eu não deveria sofrer jamais por ser deixada por alguém como você, deveria me sentir agradecida por poder seguir minha vida em plena paz, mas minha dor foi por eu ter me revelado tanto para você, te confiei quem eu sou, você viu meus olhos tristes e não os verá nunca mais porque você não é digno deles nem de tudo que eles já viram nessa vida. Não tive má fé em nenhum momento, se fui ingênua ou boba é porque sou boa demais para o mundo de homens como você.
Depois de toda escuridão, volta a luz e eu voltei melhor do que era antes.
Adeus.

(Mariana de Almeida).




 

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