Não serei mais humilde
Não serei mais modesta
Não serei mais discreta...
Não serei mais o último arroz de festa.
Tanta polidez em vão
Tanta virtude, tanta erudição.
Não serei mais uma menina flor
Não brincarei mais com o que causa dor.
Agora vou me entregar
Ao extraordinário
Que é valorizado
Que é explorado
Que é de bom grado.
Serei uma menina mil
Cheia de artimanhas
Esperta como deve ser
Uma menina do Brasil.
(Mariana L. de Almeida)
Um diário denunciando através de poesias e crônicas as dores e delícias de uma mulher face ao século XXI.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Artes.
Nossa função é produzir belezas
Para compensar as tragédias
Mas, acima das belezas,
A verdade, sempre!
E esta está intimamente
Ligada às tragédias.
(Mariana L. de Almeida).
Para compensar as tragédias
Mas, acima das belezas,
A verdade, sempre!
E esta está intimamente
Ligada às tragédias.
(Mariana L. de Almeida).
terça-feira, 29 de março de 2016
segunda-feira, 28 de março de 2016
Morte.
Morte.
Não há mais nada a ser feito diante da morte
Não há mais nada a ser dito diante da morte
Não há mais nada a ser chorado diante da morte
Só há silêncio.
Só há silêncio.
De tudo o que foi em vida
De tudo que lutou e amou
De tudo que viveu e sofreu
De tudo que a paixão devorou
De tudo que a vida impulsionou
Resta agora o silêncio.
Nenhum múrmurio
Nenhum lamento
Nenhum grito
Nenhum alerta
Nenhum último verso
Nenhuma nova ideia
Nada
Só há silêncio.
Só há silêncio.
Enfim uma voz que repousa
Enfim um corpo que descansa
Enfim uma mente que não mais sente
Enfim o fim das paixões!
Silêncio.
Somente silêncio
E uma porção de sentimentos
Deixados na poeira do tempo
Para nunca mais.
(Mariana L. de Almeida).
terça-feira, 22 de março de 2016
Ele dizia.
Ele dizia que nas redes sociais
Ninguém era de verdade
Eram todos meio forçados
Estereótipados
Mensagem subliminar
Só eu não pude decodificar
Ao falar dos outros
Ele falava dele.
(Mariana Lima de Almeida).
sexta-feira, 18 de março de 2016
O amor e a serpente.
" A água com areia brinca na beira do mar
A água passa e a areia fica no lugar.."
As palavras que saiam daquela boca eram doces e quentes, capazes de enganar o mais sábio e experiente coração, palavras passadas no açúcar e temperadas com canela, eram cheias de determinação, força e desejo. Palavras afirmativas, sempre no presente e com promessa de futuro. Uma pena ser ophioglosso. Depois de conquistado a presa, só restava um destino, a picada.
A picada era rápida, veloz, quente e rapidamente adormecia os sentidos da vítima. Aqueles olhos revelavam toda frieza após a picada fatal, a picada do gozo e do abandono.
José nunca fora amado na infância, foi parido feito bicho do mato, a mãe o alimentou e o aqueceu com panos que haviam na casa e não com seus longos calorosos braços maternos. Seus olhos procuraram por toda vida o olhar amoroso, libertador e consentido de sua parideira.
José cresceu com o que recebeu, como doar o que você nunca teve? Seus olhos escureceram de dor e fascinavam outros olhos pelo seu poder.
Era desafiador conquistar aqueles olhos e clareá-los pela luz do amor, mas a língua da serpente adormecida entre longos dentes tornara-se assustadoramente venenosa ao encontrar-se ameaçada pelo poder do amor. Não poderia tornar-se bom, não poderia entregar-se, não poderia renunciar ao poder e entregar-se ao amor, o qual seria o antídoto de seu veneno.
José resistia e escolhia o poder ao amor, o poder lhe dava autonomia enquanto o amor lhe provocava tormento e caos.
Essa história ainda não tem um final.
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