Mostrando postagens com marcador Paulista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulista. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Consolação.


Ah... uns anos atrás

Eu e você cruzando esse mesmo caminho

Atravessando esse mesmo olhar

Sorrindo as bocas até não poder mais

Narrando os melhores fatos de cada caso,


Ah....uns anos atrás

E nossas mãos distraidamente se tocariam

Sentaríamos na mesa de um bar, na calçada

Um calor intenso, pupilas dilatadas, um cigarro,


Ah... uns anos atrás e ainda correríamos todos os riscos

Uma paixão explosiva em plena Avenida Paulista

Mais dois chopps, um cigarro de menta e um tira gosto

Trocávamos livros de poesias, falávamos de blues e jazz,


Ah... uns anos atrás e eu não desistiria de nada

Não ousaria negar os desejos da pele, da boca ardente

Não esperaria por este mundo, em chamas, acabado

Não ousaria esperar para ser nada, além de tudo o que se é

Carne, sangue, olhos, mãos e amor.


(Mariana de Almeida)



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As noites da cidade.

As noites da cidade.
As noites no centro das cidades
São sempre tristes com suas ruas sujas
Poças d'água encardidas de carbono...
Lama, cuspe, mijo e burocracias
Do dia que passou.
Não me iludo, as noites daqui
São tão sujas quantos as de Paris,
Nova Iorque, Marrakesh e Milão.
Noites que fedem a perfume barato,
Cigarros, bebidas, escarro e sexo.


As putas do centro da cidade
São exatamente as mesmas
De qualquer lugar do mundo
A maioria delas é filha de alguém
E a maioria delas é mãe de alguém
E a maioria delas é mulher de alguém
E a maioria delas pagam contas ao amanhecer
E a maioria delas tomam café e porrada
Num bar miserável da cidade.
É preciso sempre encarar a volta ...
Algum buraco do mundo deve ser suas casas
Algum buraco do mundo guarda suas histórias
Algum buraco do mundo esconde toda a verdade.

Eu nessa hora insone
Penso nas putas da General Carneiro
Penso nas putas da Paulista, da Tijuca
De Manhattan e de New Orleans...
Gostaria que elas soubessem
Que alguém desse planeta absurdo
Está pensando nelas.... No frio,
No açoite, na coca, no medo, nos homens que chegam.
Jogo minha bituca pela janela
Observo a brasa se despedaçar ao chão
Não sinto culpa, ajudo foder o mundo
Denuncio nossa maldade
Traduzo para você
O que a noite revelou.


(Mariana de Almeida)
Imagem: Uma rua de Amsterdam.




Postagem em destaque

Sobre escrever.

Escrever é preciso, ser lido já é outra coisa Escrever é necessidade, impulso, grito Ser lido é invasão, dedo na cara, condenação Jul...