quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Pokémons Times!

Política, política e mais política!
Rede social hoje é isso: política, Pokémon e receitas gourmet. Há algum tempo eu já suspeitava que nossa evolução seguia uma via alternativa ao que Darwin nos apresentou. É tanta gente estúpida fazendo sucesso, tanta gente vazia e ignorante estourando nas mídias, tanta música ruim, tanta falta realmente do que falar, saca? Tem uma grande maioria aí que simplesmente não lê, enche as timelines diariamente com títulos de notícias e nem se dá ao trabalho de  verificar a veracidade das fontes, aí estufa o peito e sai vomitando suas verdades, compartilhando qualquer coisa, ditando regra e fortalecendo um comportamento estúpido de transformar qualquer estupidez em fato, em verdade.
Política é essa merda que aí está, sinto que muito em breve nem criticar será permitido, nós que nos metemos a besta de dissertar alguns temas, correremos sérios riscos de comprometermos nossa liberdade, parece que o AI 5 nos espia a cada esquina, em cada fresta da janela e em aplicativos de celulares. O Brasil vive um golpe silencioso, nós sabemos do golpe, vocês sabem do golpe, outros países sabem do golpe, mas a mídia vende esse crime como democracia, validação de um ato democrático de Impeachment e destrói uma nação inteira roubando-lhes seus direitos mais básicos. Cadê nossas panelas, que agora bem mais vazias, não batem em nossas varandas desocupadas? Cadê nosso protesto? Nossa indignação? Nossa luta? Se preciso for, cadê nossas armas?
Para complementar esse caos intelectual o qual vivemos, nos premiam com um jogo para coroar nossa alienação e estupidez: O Pokémon Go. Nossa vida está tão fodida que caçar bichinhos virtuais nos dão mais prazer que conviver com nossos semelhantes e discutir novas ideias e possibilidades. Caçar Pokémons nos dá algum sentido de utilidade real. Sim, são tempos estranhos. Haja prozac e rivotril para evitar surtos psicóticos em larga escala, afinal copiamos fielmente o "american way of life".
E por fim, nada mais pra-ze-ro-so que seguir e aprender receitas gourmets. É puro rivotril para os olhos, bolos, tortas, cremes, caldas, carnes, molhos, drinks....putz! É melhor que sexo esses vídeos de gastronomia, e o melhor: você não precisa de ninguém para assistir, preparar e comer. Não é fabuloso?
O capitalismo, com suas ferramentas, nos enche cada dia mais de orgulho. É o sistema perfeito para nossa felicidade. <3


(Mariana L. de Almeida).

 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Quem não é você, Marília?

   Marília era dessas mulheres autênticas e destemidas. Precoce desde menina, curiosa, investigava a vida das formigas e os barulhos ofegantes que vinham do quarto dos seus pais todo final de noite. No começo ela se desesperava, pensava sempre no pior, imaginava seu pai estrangulando sua mãe e a sufocando com o travesseiro. Ela queria gritar, mas não saia um fio de voz sequer. Algo extremamente aterrorizante a mantinha com os ouvidos colados na parede que separava os dormitórios da rua Padre Luiz, nº 66. Ela pedia para Deus dar-lhe coragem para gritar e pedir socorro, e quando finalmente iria gritar, sua mãe Louise abriu a porta do quarto feliz e sorridente caminhando flutuante pela casa até a cozinha para beber água. Ela perguntou ainda: "Amor, você quer um pouco de  água também?" e ele respondeu: "Claro amor, você acabou comigo!" Ambos riram e Marília ficou muito brava por todo aquele terror inútil que vivera minutos antes.
    A partir de então Marília sabia que aqueles ruídos ofegantes eram prazerosos, eram de amor e cada vez mais aperfeiçoava suas técnicas para escutar melhor. No começo usava um copo de vidro, colocava a boca do copo no ouvido e a outra parte na parede, mas não dava muito certo não, aquilo era invenção de gente idiota. Chegou ao ponto de colocar uma babá eletrônica debaixo da cama de seus pais e aí sim, escutou tudo de seu quarto, podia escutar a linguagem corporal, a respiração, o barulho dos líquidos, dos beijos, da dança da cópula. Marília tinha 13 anos quando descobriu o som do amor.
   Cresceu, se formou em arquitetura e trabalhava com construção civil. Liderava uma equipe de homens: Engenheiros, projetistas, mestre de obras e ajudantes de pedreiros. Encarava de frente qualquer desavença, olhava nos olhos e sabia direitinho como conseguir sempre tudo o que queria. Marília usava todo seu sex appeal e sua inteligência e se se interessava por alguém, pronto, conseguia fisga-lo sem dificuldades.
   Marília adorava sexo, se ficasse muito tempo sem transar começava ficar meio louca, mal humorada, a memória falhava, brigava no trânsito.... Perdia completamente o bom senso à qualquer contratempo. Só que Marília tinha um problema que não revelava a ninguém, Marília nunca tinha amado. Ela pensava que sim, tentava se enganar a todo custo, mas no fundo, bem lá no fundo ao encarar seus olhos no espelho pela manhã, ela sabia que nunca tinha amado. Nunca sentiu seu coração quase sair pela boca, nunca teve as mãos trêmulas e úmidas de nervoso ao esperar por alguém, nunca teve insônia a espera de um telefonema de madrugada, nunca se emocionou ao receber uma buquê de flores de algum namorado. Marília assustava seus pretendentes porque na maioria das vezes ela quem os levava para a cama, não aguentava esse negócio de romantismo e de esperar o homem tomar as decisões. Muitos terminavam tudo com ela depois da transa, pois a consideravam experiente demais e respeitosa de menos. Marília dava risada e graças a deus, um machista enrustido a menos em seu caminho, hasta la vista baby, ela pensava e partia para outra. Marília se deitara com todos os tipos de homens... de engenheiros pós graduados até ajudantes gerais de obra e garantia: "Nada como transar com um pedreiro cheirando a cimento"
   Mas um dia o inesperado aconteceu, Marília se apaixonara! O dono de uma das casas apareceu no meio da tarde para ver a evolução da obra, tinha decidido de última hora levantar mais um cômodo e precisava saber da arquiteta se era possível a essa altura alterar a planta do imóvel. Ele tinha um perfume inebriante que ficava no ar, Marília amou imediatamente aquele cheiro e sem prestar nenhuma atenção ao que o cliente dizia, observava suas mãos, as veias saltadas, as unhas curtinhas e limpas, um sorriso doce, dentes branquinhos e os cílios pretinhos mais lindos que ela já vira. Observava seus lábios enquanto ele explicava as futuras mudanças do imóvel. Marília queria abraça-lo, apenas abraça-lo. Mas de repente foi nocauteada do alto dos seus sonhos quando a noiva do cliente entrou no recinto toda eufórica e feliz com os novos projetos, trocaram selinhos e juntos decidiam tudo que queriam alterar na planta do imóvel. Eles estavam felizes e apaixonados, tinham planos e logo formariam uma família. Marília invejou pela primeira vez outra mulher, sentiu pela primeira vez a dor de ser ignorada e rejeitada, ele não a desejara. Ela simplesmente não existia para ele.
   Marília aos poucos foi retomando sua rotina, estava naquela fase em que reavaliava todos os seus conceitos e preconceitos, não estava mais ansiosa por fazer sexo a qualquer custo. Estava com mais de trinta anos e decidida a viver um relacionamento. Não poderia imaginar como ou com quem, mas pela primeira vez sentiu esperança em relação ao futuro e uma certa paz em seu coração. No fundo, lá no fundo ao encarar seus olhos no espelho pela manhã, ela sabia que encontraria o amor mais dias ou menos dias. Marília despertara do seu medo, seu maior medo de finalmente amar.


(Mariana L. de Almeida)




sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fênix.


Provocações, nem ligo!
Como Fênix que sou
Sei morrer e renascer
 Quantas vezes preciso for!
Como Fênix que sou
Sei amar e reamar
Quantas vezes preciso flor!
Do amor conheço suas podas
Sei me cortar inteira
Para florir novamente
Aprendi com o tempo
O segredo das quatro estações.



(Mariana L. de Almeida)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sobre Dia dos Pais e outras datas.

Que o capitalismo é um sistema cruel, sanguinário e impiedoso, isso nós já sabemos faz tempo. E para a manutenção do mesmo é necessário estimular o consumo desenfreado, mais que isso, é necessário criar a necessidade de consumo. Todos os dias necessitamos de mais coisas porque o sistema cria novas necessidades. E a criação de datas "fofas" foi um tiro certeiro como todos sabem para aquecer as vendas dos comércios .
Eu considero todas essas datas cruéis: Natal, Dia das crianças, Dia das mãe e Dia dos pais. Na época do Natal e Dia das crianças a mídia vomita suas propagandas exaustivamente para a criança desejar determinados produtos, produtos caros que muitos pais ou familiares simplesmente não podem comprar: "Mãe eu preciso de um videogame!" E como uma mãe de família que ganha em torno de um salário minimo pode atender ao desejo de seu filho? Ou seja, uma crueldade.
Agora, nada é mais doloroso para uma criança orfã que o Dia das mães ou o Dia dos pais, porque além da mídia vomitar suas propagandas educando erroneamente as crianças de que devemos presentear quem amamos para provar nosso amor, ainda vem a escola com aquelas festinhas estúpidas para homenagear os pais! Vocês já pararam para pensar em quantas crianças simplesmente não tem mãe? E quantas não tem pai? "Ah, mas se não tem mãe, sempre tem alguém para ir no lugar: uma avó ou uma tia." Não, nem sempre tem um parente ou uma vizinha ou sei lá quem para substituir o que representa uma mãe ou um pai para uma criança, é simplesmente humilhante para a criança orfã participar desse tipo de evento. E orfão não quer dizer que tem o pai ou a mãe falecidos, na maioria das vezes são orfãos porque foram abandonados mesmo.
E dia dos pais a hipocrisia é maior ainda, já que muitas mães acabam recebendo a homenagem no lugar do infeliz que abandonou a mulher grávida e não assumiu seu filho.
Enfim, acho válido que todas as escolas revejam essa questão e parem com essa manifestação bonitinha, mas que pode dilacerar uma criança para sempre.
Devemos educar nossas crianças ensinando-as que todos os dias são dias para demonstrar nosso carinho  e não precisamos presentear para provar nosso afeto.


terça-feira, 26 de julho de 2016

Santas não existem.

Já fui boba, mas nunca Santa
Santas não existem!
Já tentei acreditar em semideuses
Deuses só castigam a inteligência da gente
Santos e Santas só se for do pau oco
Já fui boba e ainda sou
Boba de amor, ainda acredito na flor
Mas a idade e o tempo te trazem
Maturidade e uma dose de serenidade.
Indiferença dói
Arranha a garganta como fel
Mas adoço um café com mel
Viro a página da vida e recomeço meus dias
Nada é tão definitivo
Como o dia de amanhã
Que nasce com sua autorização
Ou não!
Sei degustar o vinho e o pão
O sim e o não
Da vida que nunca passa em vão.


(Mariana L. de Almeida)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

De todas as mulheres do mundo.

De todas as mulheres do mundo
Eu já fui todas
De menina e santa...
Casta e puritana
À sacana e insana
Aquela que engana
Em troca de qualquer aliança
Já fui inocente como nova
Já fui coerente como velha
Já fui linda como a lua cheia
Já fui feia como areia seca do sertão
Já disse sim e já disse não
Já entrei em templos e igrejas
Já dancei com as bruxas sob o clarão
Da imensidão da lua sobre o chão
Já entornei o vinho, o lírio, a papoula
Já mastiguei a hóstia, o pão e o sermão
Já vomitei em latrinas de ouro
Já comi em pratos de papelão
Já fui feliz ao pisar na terra com pés descalços
Já amei na beira do mar enquanto a água salgada
Molhava meu vestido de flor
Já chorei sozinha em rodovias desertas
Sem carona, sem carinho, sem deus.
De todas as mulheres do mundo
Carrego cada uma delas no meu olhar.



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Para o meu amor, Carlos Drummond de Andrade.

E todos os problemas do mundo
Continuam exatamente iguais!
Os homens não têm conserto...
Meus problemas continuam todos
Exatamente como ontem, insolúveis,
Como disse meu amado Drummond:
"Esse mundo não se resolve"
E eu não resolvo nunca
A desordem do meu nada.
Guardo as belezas que ganhei
Poetas, escritores, anjos e loucos
Quais a vida me brindou, e,
Decifram minhas palavras
E traduzem minha alma;
Vocês fazem toda diferença
Para eu prosseguir aqui
Agradeço por vocês em minha vida
Amo e ressuscito por este amor
Como quando estou prestes a cair,
Como quando estou por um fio
À lançar voo abismo abaixo...

A Poesia salva!

(Mariana de Almeida)


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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Saudade.

                                                                                    (Para Gianfranco Lacaria)


Essa saudade ainda aqui mora
Essa saudade insiste e chora
Essa saudade não vai embora
Me visita nas piores horas
Enquanto uma música toca
Enquanto um café eu tomo
Enquanto leio outras histórias
Essa saudade não vai embora
Ameaça, mas sempre volta!
Aconteça o que acontecer
Você sempre será na minha vida
A saudade que eu gosto de ter.

Com amor,
(Mariana L. de Almeida)




sexta-feira, 10 de junho de 2016

Profana.





Tanto busquei aos deuses
Tantas súplicas e orações
Até poemas lhes ofereci
E nada!
Tentei lhes agradar de todas as formas
Fiz jejum, promessas, decorei salmos
Ofertei-lhes meu pão, bebi todo o vinho
Mas o que eu pedia os deuses nunca me deram
Ainda não sei o que fiz de errado
Ao ser expulsa assim do paraíso
Ainda menina meus pecados traí
Ao oferecer aos deuses minha inocência
Em troca de algum alento, desvelo.
Os deuses não sabem
Ao me negarem os céus
Abriram abrigo sem véus no meu coração.


(Mariana L. de Almeida).


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Criação.

Confesso que o momento da criação é o meu melhor e o meu pior momento, não sou eu quem decide por ele e sim é ele quem decide emergir, romper a barreira do subjetivo e explodir objetivamente.
Estou quieta quando sinto então os primeiros sintomas, sinto efeitos quase alucinógenos como palpitações, suor nas mãos, coração disparado, a pupila se dilata e como uma descarga elétrica vem aquela enxurrada de palavras e sensações desordenadas, é assim até o final.
Por vezes é difícil encontrar o bendito final, mas quando encontro ...ufa! É como se eu pudesse gritar para mim mesma: - "Nasceu!".
E é como um filho de verdade, não me pertence mais e sim ao mundo, aos leitores, aos famintos de poesia, aos loucos, aos marginais, aos degustadores de palavras, aos curiosos, aos críticos e a todos que buscam; porque há uma busca constante e a arte acontece justamente quando se dá esse encontro. Há uma busca quase instintiva do leitor e do escritor e quando acontece cria-se conexões, forma-se ligamentos que não se desfazem mais. Faz-se sentido.
Somente por isso valeu ter nascido e vivido neste mundo.







(Mariana L. de Almeida).

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