Um diário denunciando através de poesias e crônicas as dores e delícias de uma mulher face ao século XXI.
sexta-feira, 18 de março de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Eu.
Eu sou a pessoa certa
Para dizer a coisa errada
Na hora exata
Confusão na certa
Que enrascada
Todo mundo sentado
No sofá da sala.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Marina.
Marina sentia-se sem perspectivas e coragem. Estava triste e pela primeira vez pensava em desistir de tudo como uma doce alternativa; seria o fim do fim. Chegara aos 40 anos sem uma benfeitoria sequer na vida. Na infância fora uma menina tímida e medrosa, sempre protegida pelo irmão mais velho, era sua cobaia, fazia o que este lhe mandava e fazia sempre de bom grado, obedecer seu irmão era uma prova de amor e devoção, podia lhe custar sangue, mas o prazer era maior. Na adolescência aquela sensação estranha de crescer os separaram, cada um na sua, um com vergonha do outro, embora o amor continuasse intacto e bem guardado. Depois cresceram mais, se reaproximaram e dividiram músicas, sonhos e poesia. Quando adultos cada um seguiu seu rumo, nova família, sociedade e trabalho.
O casamento de Marina foi um porre só, marido neurótico, beirando a esquizofrenia e a violência, uma convivência baseada em insultos, gritos e ocultos desejos de morte. Ela pensava: "Se o infeliz morrer, vou fingir tristeza uma semana depois me jogo de cara na alegria". Mas claro que o infeliz nunca morreu, quem morria aos poucos era Marina.
Um dia Marina chamou o caminhão, colocou tudo dentro e foi embora, sem dó nem piedade. Dó mesmo era ver a vida passando por Marina, aquela menina que quase não sorria. Marina tinha um cargo público, mais de 14 anos sentada atendendo a população, aquele povo vinha de longe e passava horas na fila enquanto ela se remoía da vida que tinha. Num desses atendimentos Marina conheceu João, bem apessoado, gel nos cabelos, anel no dedo e cordão no pescoço, o sorriso era bonito e um pouco malicioso. Pronto, o tal se interessou pela ingenuidade da moça, pegou o telefone da repartição e volta e meia ligava para ela, uma desculpa mais boba que a outra, sempre perguntando sobre o andamento do processo e de como ela estava. O negócio evoluiu e o descarado a convenceu de se encontrarem para tomar um suco, ela foi e acabaram na cama de um motel barato, motel barato esse que João não tinha um tostão para pagar, ele contou uma triste história que tinha comprado remédio para o filho menor que queimava em febre e a pobre não teve outra saída senão pagar sozinha o encontro. O problema não foi puramente pagar a transa, mas sim gostar da transa com João, a química foi boa. João entendia de sexo, mas dinheiro nao tinha nenhum.
Marina se apaixonou por João. Que atire a primeira pedra quem nunca caiu em tentação. As histórias trágicas de João cresciam a cada encontro. Era filho doente, ex mulher na justiça, mãe esclerosada, contas atrasadas. Então, Marina pensou em ajudar e foi procurar um emprego para João na repartição, descobriu uma vaga de porteiro mas cadê o sorrateiro? João escafedeu-se, deu no pé, deu no pira e fugiu sem ao menos se despedir de Marina.
Um dia Marina chamou o caminhão, colocou tudo dentro e foi embora, sem dó nem piedade. Dó mesmo era ver a vida passando por Marina, aquela menina que quase não sorria. Marina tinha um cargo público, mais de 14 anos sentada atendendo a população, aquele povo vinha de longe e passava horas na fila enquanto ela se remoía da vida que tinha. Num desses atendimentos Marina conheceu João, bem apessoado, gel nos cabelos, anel no dedo e cordão no pescoço, o sorriso era bonito e um pouco malicioso. Pronto, o tal se interessou pela ingenuidade da moça, pegou o telefone da repartição e volta e meia ligava para ela, uma desculpa mais boba que a outra, sempre perguntando sobre o andamento do processo e de como ela estava. O negócio evoluiu e o descarado a convenceu de se encontrarem para tomar um suco, ela foi e acabaram na cama de um motel barato, motel barato esse que João não tinha um tostão para pagar, ele contou uma triste história que tinha comprado remédio para o filho menor que queimava em febre e a pobre não teve outra saída senão pagar sozinha o encontro. O problema não foi puramente pagar a transa, mas sim gostar da transa com João, a química foi boa. João entendia de sexo, mas dinheiro nao tinha nenhum.
Marina se apaixonou por João. Que atire a primeira pedra quem nunca caiu em tentação. As histórias trágicas de João cresciam a cada encontro. Era filho doente, ex mulher na justiça, mãe esclerosada, contas atrasadas. Então, Marina pensou em ajudar e foi procurar um emprego para João na repartição, descobriu uma vaga de porteiro mas cadê o sorrateiro? João escafedeu-se, deu no pé, deu no pira e fugiu sem ao menos se despedir de Marina.
A pobre agora definha, anda cada dia mais triste e zangada da vida, chega a fatura do cartão e cada conta lembra um momento com João, saudade, saudade, saudade sem fim... Marina insiste e manda mil torpedos escritos assim: "João liga para mim" , "João não faz assim", "João, venha com sua mãe, os meninos e tudo mais, vamos nos ajeitar", "João prometo nunca mais mandar você trabalhar", "João, João João..." E assim seguiram seus dias e nunca mais João.
Marina segue ainda na mesma repartição, dia após dia em sua rotina, atendendo aquele povo sem fim, na esperança de rever o desalmado do João.
Fim.
(Mariana L. de Almeida)
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Cansada.
Cansada de verdades absolutas
Cansada de crer em falsos sentidos
Cansada de respostas prontas
Cansada de julgamentos
Cansada de tudo que defendi
Cansada do tempo que perdi
Cansada dos dias que não vi
Cansada da dor inútil que senti.
(Mariana Lima de Almeida)
Cansada de crer em falsos sentidos
Cansada de respostas prontas
Cansada de julgamentos
Cansada de tudo que defendi
Cansada do tempo que perdi
Cansada dos dias que não vi
Cansada da dor inútil que senti.
(Mariana Lima de Almeida)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Pseudônimo.
Por que criar um pseudônimo?
Várias personalidades, transtorno?
Por que uma só pessoa não dá conta?
Por que vários como fez Pessoa?
Que audácia!
Uma só voz não poder revelar-me
Uma só mão não poder sangra-me
Uma só alma não poder poetar-me
Por que criar um pseudônimo?
Para contar o que eu já não sei?
Para denunciar os crimes que calei?
Para amar o que em mim matei?
(Mariana Lima de Almeida).
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagem em destaque
Sobre escrever.
Escrever é preciso, ser lido já é outra coisa Escrever é necessidade, impulso, grito Ser lido é invasão, dedo na cara, condenação Jul...
-
Depois de um longo período de introspecção e enclausuramento Mara decidiu sair da toca e espiar como estava o mundo lá fora. Desde qu...
-
Existe maior injustiça do que comer e engordar? Mais injustiça ainda quando você come exatamente a mesma quantidade que sua amiga magra...
-
Canalhas existem e aos montes, como baratas se multiplicam em cada esquina, mas com Mara eles não têm mais vez e vou contar porquê. Ma...







