O dia é de lutar
A noite é de amar
O dia é de suor
A noite também
O dia separa a gente
A noite espera da gente
A noite é líquida
Nossos corpos, beijo e sabor
O dia é longo a te esperar
A noite recompensa
A demora de te amar.
(Mariana Lima de Almeida)
Um diário denunciando através de poesias e crônicas as dores e delícias de uma mulher face ao século XXI.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Sou como aquela velha casa
Do lado de lá
Não tenho nada
Estou desabitada de mim há tanto
Não fui posta à venda...
Não obtive locatários
Tive o vento, os dias e noites sem fim
Mas possuo uma janela
Embora enguiçada pelo mau tempo
Onde pude ver o tempo passar
Onde pude ver os homens de lá
Onde uma vez vi o amor
Não deixei que ele me visse
Espiei através de suas frestas
Mas me assustei
Com tamanha perfeição!
Quase senti bater meu coração
Mas antes que fosse tarde
Tranquei as janelas
E joguei as chaves
Bem longe para lá.
Do lado de lá
Não tenho nada
Estou desabitada de mim há tanto
Não fui posta à venda...
Não obtive locatários
Tive o vento, os dias e noites sem fim
Mas possuo uma janela
Embora enguiçada pelo mau tempo
Onde pude ver o tempo passar
Onde pude ver os homens de lá
Onde uma vez vi o amor
Não deixei que ele me visse
Espiei através de suas frestas
Mas me assustei
Com tamanha perfeição!
Quase senti bater meu coração
Mas antes que fosse tarde
Tranquei as janelas
E joguei as chaves
Bem longe para lá.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Tempos de indelicadeza.
Tempos de indelicadeza ferem a alma dos sensíveis, dos que ainda pertencem à raça humana e não aos que se tornaram subproduto do meio violento, caótico e midiático em que reproduzem o mal de forma espontânea e quase natural.
Tempos de indelicadeza fecham os olhos para as mazelas sociais, as crianças nos faróis , as mães viciadas, os pais desaparecidos, os doentes abandonados nas calçadas do mundo, os famintos, os que fugiram de suas pátrias, os que morrem de frio nas madrugadas e aos que choram sozinhos no escuro.
A delicadeza se tornou qualidade rara, a qual só os que possuem olhos bonitos ainda possuem, o cuidado ao tocar o universo do outro, a dor do outro e a beleza do outro.
Minha beleza e minha dor são caras para mim, não as divido com ninguém, exceto aos que são dotados de amor e cuidado, aos humildes, aos que sorriem, aos que seguram as mãos, aos que não esquecem de lavar os olhos todas as manhãs para enxergar a vida, aos delicados.
De vocês, filhos do tempo da indelicadeza, não guardo mágoas e sim penas. Pena por vossa cegueira nauseante, por vossas palavras proferidas para humilhar, ofender e odiar, pena por vossa mutilação intelectual, por vossas mãos utilizadas para machucar, por vossos pés que caminham por trilhos cortantes e por vosso coração amputado à força e a frio.
A delicadeza pertence aos poucos, aos raros, aos gigantes, aos que ajudam, aos que escutam, aos que se importam, aos que amam e ainda se encantam.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Ano novo, novo amor?
Todo Dezembro traz aquela sensação de um certo alívio, missão cumprida, finalidade, o que foi já foi e não há mais o que fazer, adeus, ja era. E a esperança no ano novo que virá, tempo novo que virá, renascimento de velhos desejos. Por isso, o reveillon é aquele momento tão especial e cheio de sonhos, a esperança de que desta vez algo bom se realizará, o medo desaparecerá, a grana vai pintar, a dor cessará, o amor aparecerá, sabe aquele amor? Aquela paixão deliciosa? Sim! Aquela paixão onde nosso hino será nossa risada, nosso beijo será quente, doce e perfeito, nossa visão de mundo próxima e voltada para o mesmo horizonte, nosso silêncio será de cumplicidade e não de mal estar, aquele olhar repleto de signos e significados... Quem está sozinho pode estar muito bem, cheio de projetos e demais prazeres, mas quem resistiria a esse amor? Como negar o encontro que mudaria nosso rumo? Está bem, você pode não estar interessado, fugir do amor como quem foge da polícia, você pode ter uma vida perfeita livre e sozinho, você pode até adorar sua militante rotina, mas quando distraidamente tropeçar em um par de olhos que gelará sua espinha, te causará pensamentos confusos e desconexos, desculpe meu caro, eu não deveria, mas vou te notificar: Você encontrou o amor e só tem duas opções : A primeira é desviar os olhos, olhar para o relógio ou celular, fingir ler um jornal ou mesmo correr para um banheiro próximo e lá se enfiar até o resto da vida. Já a segunda é não desviar o olhar, isso mesmo, não desvie o olhar, encare e enfrente, vença o medo uma vez e seja feliz pela primeira vez na sua vida!
Esse único momento pode durar somente alguns momentos, alguns instantes, alguns infinitos... pode durar o suficiente para que toda essa história até aqui tenha valido a pena. O resto? O depois? Quem saberá se você não encarar para ver? 👀
Esse único momento pode durar somente alguns momentos, alguns instantes, alguns infinitos... pode durar o suficiente para que toda essa história até aqui tenha valido a pena. O resto? O depois? Quem saberá se você não encarar para ver? 👀
(Mariana Lima de Almeida).
A carta.
Primeiramente peço que tenha calma, calma é tudo que você precisa para ler, e depois te peço o pior, o mais difícil, o mais doloroso e o mais libertador que é o seu perdão.
Não te peço compreensão, te peço perdão. E sei que o que peço é penoso demais e gostaria de evitar a qualquer custo, mas não tive outra saída, não tive escolhas e assim aconteceu e me libertei.
Querida, eu realmente me cansei, todos esses anos lutando contra tudo e todos, sempre perdendo todas as batalhas, me desfazendo dos meus sonhos, meus pequenos prazeres, minhas amizades caras, meu trabalho intelectual, minhas noites fiéis e companheiras, meus porres de paixão e poesia, tudo se foi e eu fiquei só, eu fiquei completamente só e como dói ser só, mas assim como mandavam eu continuava, eu trabalhava, eu caminhava, eu almoçava, eu lia e respondia e-mails, não todos, só os que mais custavam a nós e nossa família, eu tentava ser um homem normal sem muitas vaidades, eu me policiava o tempo todo julgando minha conduta moral para ser a mais correta possível, pois, quando um homem perde a razão o instinto toma conta, eu frequentava os melhores psiquiatras em busca de alguma recompensa, essas recompensas que as igrejas prometem, que as mães prometem aos seus filhos e os amantes prometem também um ao outro, mas nunca recebemos recompensa nenhuma meu bem.
Quando não havia no mundo tantos meios de comunicação, a internet era papo de bicho grilo futurista, eu podia escrever e ser lido, todo poeta era reconhecido, mesmo que fosse só no boteco onde se frequentava e éramos amados pela nossa arte. Ah isso foi no início dos anos 70, a arte era diferente, a gente amava os livros, o cheiro deles, as páginas amareladas, um livro era objeto de muito respeito, mas hoje? O que é um livro hoje? O que é um velho reclamando a falta deles? Eu sou como os livros de páginas amareladas pelo tempo...eu amarelei meu bem.
Como disse antes, não peço sua compreensão, só o seu perdão.
Perdão por nunca te dar uma recompensa.
De lá para cá, todas as coisas mudaram no mundo, só eu que não, tudo ficou mais uniformizado ainda, tudo virou digital, basta um dedo, um clique e lá se foi, eu tenho pena de todos que vieram depois, eu tenho pena dos nossos filhos, de suas angústias que eles não sabem de onde vem e eu sei, sei sozinho e calado, eu tenho mais pena ainda dos que virão depois que nem sei se angústias sentirão, talvez venham informatizados o suficiente para não sentirem mais nada...
Ah como sinto pena meu bem, sinto pena de você que não sabe nada disso, sinto pena de toda sua beleza não explorada e guardada pra mim...você não deveria meu bem se doar tanto assim.
Por isso, te escrevo essa carta para me despedir e agradecer tudo o que fez por mim, mas o mundo meu bem, não me tratou tão bem quanto você... Foram dias perdidos, trabalhos negados, dinheiro sempre escasso, meus porres proibidos, a saúde já debilitada, sexo então, nem pensar.... Acabou meu bem, os dias melhores ficaram para trás e lá talvez eu fui feliz.
Deixo para você meus poucos bens e espero que você não os trate tão bem assim, se preciso venda-os, gaste-os e viva por mim.
Deixo também meus pequenos pertences, o terno pode usar para me enterrar, o relógio pode leiloar ou entre os filhos sortear, nossa aliança você faça o que quiser, meus cigarros ofereça a quem puder gozar e o resto são só restos.
Hoje esse tempo acabou para mim e não há motivos para tristezas nem vendavais, assim eu quis.
Perdoe-me meu bem, fique junto dos nossos....Adeus.
Crônica de Mariana L. de Almeida.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Ser mulher.
Gosto de ser mulher;
Das coisas simples de ser mulher;
Um livro novo para ainda começar;
Uma música a despertar e me emocionar;
Um olhar que me lance chamas para eu ainda acreditar;
Um almoço de domingo, uma garrafa de vinho tinto;
Realizar meu trabalho e me sentir capaz;
Poder ter meus segredos, meus sonhos e minhas coisas;
Ficar por horas sozinha na cama a sonhar;
Pensar em você, imaginar você e ainda querer;
Rir de mim, das besteiras que já fiz;
Receber os filhos quando chegam da escola;
Dar banho, secar e depois os cabelos escovar;
Olhar os cadernos, estudar junto, pegar no pé;
Assistir TV, disputar o computador, desligar o videogame;
Depois beijá-los e abraçá-los sem ter fim;
O que mais eu poderia querer para mim?
A vida poderia ser bem mais difícil;
Não posso dar-me o direito de reclamar;
Sou feliz, posso ser mais, se me dedicar;
Se souber o que quero, se souber para onde vou;
Sei que também sofro, pois humana eu sou;
Passo muitas noites digladiando com meus inimigos;
Meus maiores medos, futuro, saúde, sucesso;
Até quando conseguirei vencê-los?
Mas deixo algumas missões para meu amigo Tempo;
Ele é meu chefe superior, ele é meu líder;
Quando não posso mais, ele é quem pode;
E vou vivendo assim meu dia-dia;
Enquanto isso, vivo a dor e a delícia de ser uma mulher;
A delícia de amar, amar, amar e infinitamente amar.
Das coisas simples de ser mulher;
Um livro novo para ainda começar;
Uma música a despertar e me emocionar;
Um olhar que me lance chamas para eu ainda acreditar;
Um almoço de domingo, uma garrafa de vinho tinto;
Realizar meu trabalho e me sentir capaz;
Poder ter meus segredos, meus sonhos e minhas coisas;
Ficar por horas sozinha na cama a sonhar;
Pensar em você, imaginar você e ainda querer;
Rir de mim, das besteiras que já fiz;
Receber os filhos quando chegam da escola;
Dar banho, secar e depois os cabelos escovar;
Olhar os cadernos, estudar junto, pegar no pé;
Assistir TV, disputar o computador, desligar o videogame;
Depois beijá-los e abraçá-los sem ter fim;
O que mais eu poderia querer para mim?
A vida poderia ser bem mais difícil;
Não posso dar-me o direito de reclamar;
Sou feliz, posso ser mais, se me dedicar;
Se souber o que quero, se souber para onde vou;
Sei que também sofro, pois humana eu sou;
Passo muitas noites digladiando com meus inimigos;
Meus maiores medos, futuro, saúde, sucesso;
Até quando conseguirei vencê-los?
Mas deixo algumas missões para meu amigo Tempo;
Ele é meu chefe superior, ele é meu líder;
Quando não posso mais, ele é quem pode;
E vou vivendo assim meu dia-dia;
Enquanto isso, vivo a dor e a delícia de ser uma mulher;
A delícia de amar, amar, amar e infinitamente amar.
02/07/2010.
Mariana Lima de Almeida.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Almoço de família.
Estava lançada a grande guerra para Adley, assumir suas posições políticas e feministas para sua família tradicional, burguesa e careta. A guerra seria impor respeito as suas escolhas, afinal já completara 33 anos, estava no auge da sua liberdade, criatividade, sexualidade e mil ideias que revolucionavam sua maneira de entender o mundo e viver a vida. A vida era uma experiência única, sem direito a volta, era um bilhete para essa grande montanha russa.
A família questionava Adley sobre os homens, os namoros, sobre casamento, era sempre aquela mesma ladainha burguesa, até que num almoço de família onde era comemorado o aniversário da mãe de Adley, ela declarou: - "Casamento para mim é loteria, aquele sonho hollywoodiano de você conhecer aquela pessoa super linda, gostosa, bom caráter, evoluída, instruída, cheia de cultura, histórias boas para contar e ainda trabalhador, que topa todas com você e ótimo de cama! Ou seja é mais difícil que loteria, é utopia mesmo...hahahaha"
Seus pais se entreolharam com ar de reprovação. Adley indagou: -"Não estou certa? É verdade ou não? Hipocrisia total esse lance de casaram e foram felizes para sempre, bom seria".
Mas o pai imediatamente respondeu: -"Isso porque você é uma moça egoísta e infantil! Formar uma família é a coisa mais nobre que um homem pode fazer. Ou por acaso o certo agora é ser feliz sozinho? Cada noite em uma cama diferente? Com homens que nunca a valorizarão? Que nunca vão querer te assumir?"
Adley responde: "Mas eu é que não quero assumir jamais um homem que pense assim pai! Muito melhor morar com uma amiga, dividimos as contas, cada uma tem seu espaço, uma respeitar a individualidade da outra, uma apoia a outra e vivemos em paz assim. Sabemos que não ganharemos nessa loteria do amor perfeito pai".
O pai esbravejou: -"Imagina o que os vizinhos devem comentar, né? Olha as solteironas aí, as sapatonas! É isso que eles devem falar!"
-"Papai o que os vizinhos pensam ou imaginam não é problema meu! Eu não teria problema nenhum em assumir estar apaixonada e vivendo com uma mulher, mas não é o que está acontecendo! Somos amigas e dividimos um apartamento, trabalhamos e pagamos nossas contas, somos livres e talvez isso incomode as pessoas, não escolhemos viver em uma prisão machista, não queremos aprovação ou não de um homem, não queremos posar de esposa perfeita , mãe perfeita e brincar de casinha para ser sempre cobrada e quase nunca valorizada" respondeu Adley já chateada com o tom da conversa.
-"Tudo para você é hipocrisia, minha vida não foi uma hipocrisia nem a da sua mãe ou foi? Ou eu sou o único que não sabe a grande merda que viveu? Será que eu fui tão desgraçado assim? Será que minha mulher me odeia e eu não sei? Tudo que vivi, acreditei e planejei não passou de mentira? Os filhos crescem e mostram a grande merda que foi todos os sacrifícios feitos....essa é boa...geração sabe tudo. Não sabem as crises que passamos, os medos que enfrentamos, as inflações, o desemprego, o medo de faltar algo para você e seus irmãos. Agora não tenho nem o direito de ter um neto? Por que? Porque a maldita geração Y não pensa em nada a não ser no prazer de agora, só agora, e foda-se tudo. Saiba que a velhice vai chegar para vocês também e se sua amiga de quarto não estiver mais aqui? Quem cuidará de você? Quem segurará sua mão? Eu e sua mãe já teremos fechado os olhos graças a Deus! Quem cuidará de você velha e senil?" E levantou-se da mesa em direção à varanda onde costumava fumar seu charuto para espairecer enquanto olhava a cidade a sua frente.
Adley se sentia angustiada, sempre que era dia de almoçar na casa dos pais era atacada pela ansiedade, mãos suadas, tensão, respiração ofegante e um desejo imenso de engolir a comida e sair dali. Ela amava seus pais, entendia a história deles e sabia que essa mesma história não cabia para ela.
Mexia no celular para a hora passar e desejava um cigarro, mas tinha esquecido no carro, pensou em descer apanhar, mas decidiu esperar e fumar depois, afinal era outro assunto chato, responder as mesmas perguntas de quando ela iria parar de fumar.
No final, após a sobremesa, os nervos se acalmavam, o irmão sempre intervinha com alguma notícia sobre o futebol, a mãe comentava sobre algumas medidas do governo, tomavam um licor e aos poucos o clima familiar voltava. Já combinavam um novo almoço onde certamente novos assuntos seriam discutidos e quem sabe compreendido por todos.
(Mariana Lima de Almeida).
A família questionava Adley sobre os homens, os namoros, sobre casamento, era sempre aquela mesma ladainha burguesa, até que num almoço de família onde era comemorado o aniversário da mãe de Adley, ela declarou: - "Casamento para mim é loteria, aquele sonho hollywoodiano de você conhecer aquela pessoa super linda, gostosa, bom caráter, evoluída, instruída, cheia de cultura, histórias boas para contar e ainda trabalhador, que topa todas com você e ótimo de cama! Ou seja é mais difícil que loteria, é utopia mesmo...hahahaha"
Seus pais se entreolharam com ar de reprovação. Adley indagou: -"Não estou certa? É verdade ou não? Hipocrisia total esse lance de casaram e foram felizes para sempre, bom seria".
Mas o pai imediatamente respondeu: -"Isso porque você é uma moça egoísta e infantil! Formar uma família é a coisa mais nobre que um homem pode fazer. Ou por acaso o certo agora é ser feliz sozinho? Cada noite em uma cama diferente? Com homens que nunca a valorizarão? Que nunca vão querer te assumir?"
Adley responde: "Mas eu é que não quero assumir jamais um homem que pense assim pai! Muito melhor morar com uma amiga, dividimos as contas, cada uma tem seu espaço, uma respeitar a individualidade da outra, uma apoia a outra e vivemos em paz assim. Sabemos que não ganharemos nessa loteria do amor perfeito pai".
O pai esbravejou: -"Imagina o que os vizinhos devem comentar, né? Olha as solteironas aí, as sapatonas! É isso que eles devem falar!"
-"Papai o que os vizinhos pensam ou imaginam não é problema meu! Eu não teria problema nenhum em assumir estar apaixonada e vivendo com uma mulher, mas não é o que está acontecendo! Somos amigas e dividimos um apartamento, trabalhamos e pagamos nossas contas, somos livres e talvez isso incomode as pessoas, não escolhemos viver em uma prisão machista, não queremos aprovação ou não de um homem, não queremos posar de esposa perfeita , mãe perfeita e brincar de casinha para ser sempre cobrada e quase nunca valorizada" respondeu Adley já chateada com o tom da conversa.
-"Tudo para você é hipocrisia, minha vida não foi uma hipocrisia nem a da sua mãe ou foi? Ou eu sou o único que não sabe a grande merda que viveu? Será que eu fui tão desgraçado assim? Será que minha mulher me odeia e eu não sei? Tudo que vivi, acreditei e planejei não passou de mentira? Os filhos crescem e mostram a grande merda que foi todos os sacrifícios feitos....essa é boa...geração sabe tudo. Não sabem as crises que passamos, os medos que enfrentamos, as inflações, o desemprego, o medo de faltar algo para você e seus irmãos. Agora não tenho nem o direito de ter um neto? Por que? Porque a maldita geração Y não pensa em nada a não ser no prazer de agora, só agora, e foda-se tudo. Saiba que a velhice vai chegar para vocês também e se sua amiga de quarto não estiver mais aqui? Quem cuidará de você? Quem segurará sua mão? Eu e sua mãe já teremos fechado os olhos graças a Deus! Quem cuidará de você velha e senil?" E levantou-se da mesa em direção à varanda onde costumava fumar seu charuto para espairecer enquanto olhava a cidade a sua frente.
Adley se sentia angustiada, sempre que era dia de almoçar na casa dos pais era atacada pela ansiedade, mãos suadas, tensão, respiração ofegante e um desejo imenso de engolir a comida e sair dali. Ela amava seus pais, entendia a história deles e sabia que essa mesma história não cabia para ela.
Mexia no celular para a hora passar e desejava um cigarro, mas tinha esquecido no carro, pensou em descer apanhar, mas decidiu esperar e fumar depois, afinal era outro assunto chato, responder as mesmas perguntas de quando ela iria parar de fumar.
No final, após a sobremesa, os nervos se acalmavam, o irmão sempre intervinha com alguma notícia sobre o futebol, a mãe comentava sobre algumas medidas do governo, tomavam um licor e aos poucos o clima familiar voltava. Já combinavam um novo almoço onde certamente novos assuntos seriam discutidos e quem sabe compreendido por todos.
(Mariana Lima de Almeida).
Amarelo.
Amarelo é caramelo
Amarelo luz do sol
Amarelo cor do tom
Amarelo cor do som
Amarelo gira o sol
Amarelo girassol
Amarelo
Amar é elo.
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