Tenho um emprego
Que tantos brasileiros pobres
Sonham e almejam
Estou cansada, estou cansada
De trabalhar todos os dias
E o dinheiro nunca dar
Porque o bebê fica doente
A internet está sempre lenta
Só o básico na dispensa
Só um biscoito não sustenta
E o chuveiro não esquenta...
O cabelo cresce
A unha quebra
O dente dói
E quem come arroz e feijão
Espera sempre a sobremesa
E quando ela não vem
As crianças brigam sobre a mesa
E às vezes se deixa de comprar sabão
Só para sobrar mais um tostão
E não ver nosso filho chorão.
Todo mundo só reclama
E até as crianças
Já nascem sem esperança
O virtual é o mundo mais legal
Mas a fome ainda é um troço real
As pessoas estão cansadas
De suas atitudes insensatas
Essa tal modernidade
Que prometia tanta liberdade
Jamais falou com sinceridade
O preço dessa jogada
E hoje todo mundo pelas cidades
só falam: "Ai que saudade..."
Agora só tem carros por todos os lados
Boletos bancários intermináveis
E os homens cada vez mais estressados
Eu jamais quis ser pessimista
Mas vendo tudo aqui de cima
Não vejo mais muitas saídas.
Mariana Lima de Almeida.
03/11/2010.
Um diário denunciando através de poesias e crônicas as dores e delícias de uma mulher face ao século XXI.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
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